Por Layane Alencar
E há quem diga “respeito aos mortos”. Hoje em dia, nem a estes. Parlamentares líderes da CPI dos Cemitérios visitaram alguns dos sete cemitérios de Brasília, para investigar uma denúncia feita pelo presidente da Organização Social dos Jardineiros do Distrito Federal, Cícero de Jesus Melo. E o que encontraram foi assustador, um grande número de túmulos abertos que designam ilegalidade na administração dos cemitérios, além de violação dos direitos humanos.
As despesas mínimas de um sepultamento superam a casa dos dois mil reais. O deputado distrital José Antônio Reguffe diz que “não há nada que justifique que um enterro no DF tenha este valor”. Já as empresas dos cemitérios se justificam dizendo que a taxa cobrada diz respeito à manutenção e à responsabilidade por qualquer depredação ou perda de objeto que ocorra no local.
E como explicar a exumação irregular de restos mortais, a revenda de túmulos e o desaparecimento de ossadas? No espaço reservado aos pobres no Cemitério Campo da Esperança, as covas não possuem nenhuma identificação e mais de três corpos de famílias diferentes são enterrados na mesma sepultura. Sem falar do grande matagal encontrado no local, o que denuncia a total falta de manutenção.
O gerente da empresa Campo da Esperança e responsável pelo Cemitério de Taguatinga, Hamilton dos Santos Xavier, confirmou, aos relatores da CPI, algumas irregularidades, e disse que os ossos descobertos pela CPI em Taguatinga são de galinha.
O descaso é visível, mas o governo confia em seu trabalho. “Eu espero que o trabalho da CPI contribua para que a gente possa planejar um novo modelo de gestão para os cemitérios do DF, acabar com essas arbitrariedades e resgatar a dignidade do povo, porque não dá para a gente conviver com esse sistema”, comenta o deputado Rogério Ulisses, presidente da CPI.