Junho 23, 2008...10:42 pm

Casas ou árvores?

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Por João Paulo Biage

 

 “Brasília, uma cidade de negócios e oportunidades para todos.” É isso que as pessoas menos informadas das outras cidades e estados pensam da capital brasileira. Então, visando maiores oportunidades de emprego e expandir suas contas bancárias, vários migrantes chegam a Brasília. Porém, a maioria vem sem nenhum tipo de moradia já certa e encontra em áreas de preservação ambiental seu local para morar. Isso aconteceu desordenadamente nas últimas três décadas, fazendo com que a ocupação de locais irregulares fosse cada vez maior e causando danos irreparáveis às áreas ambientais do Planalto Central.

Um dos locais que logo foi ocupado e hoje é totalmente urbanizado é a Colônia Agrícola Vicente Pires. O que atualmente já é considerada uma cidade até hoje não tem casas e condomínios regularizados. São aproximadamente 17 mil famílias que vivem irregulares  no local. O pior é que o crescimento de famílias foi desenfreado, e prejudicou a nascente e o córrego que atravessa a cidade. Sem contar o desmatamento feito para que a cidade fosse iniciada e o uso ilegal, irrestrito e imprudente da água ali localizada.

Outro caso mais recente é a ocupação da Bacia do São Bartolomeu. Mais uma área ambiental habitada desordenadamente e que pode até comprometer o abastecimento de água do Distrito Federal. Isso porque já são mais de dez mil hectares ocupados irregularmente. Um estudo da Universidade Católica de Brasília (UCB) acusa que 80% dessas ocupações estão em locais onde não deveria haver habitações.

Entra ano e sai ano, a questão fundiária brasiliense só piora. Há quem diga que as invasões são as piores maneiras de agressão ao solo. Eu acredito e concordo com a idéia, pois o desmatamento é péssimo para o solo? Claro. Queimadas então?! Nem se fala. Porém as construções de edificações em APAs (Áreas de Preservação Ambiental) e APPs (Áreas de Preservação Permanente) não só desmatam como inutilizam o solo fértil.

Problemas ambientais como esses são quase impossíveis de serem solucionados. Não há como replantar tais árvores derrubadas e nem como repurificar a água tal como era antes. Pode-se fazer um tratamento com a água, e plantar novas árvores em um novo local, mas mais que isso: deve-se reeducar a população e conscientizá-la de que árvores, plantas, águas, animais, assim como nós, também precisam de local para viver.

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