Junho 23, 2008...10:26 pm

A perda do faro

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Por Camila Marques

 

O jornalista e professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) Ciro Marcondes Filho é autor de diversos livros na área de jornalismo. Dentre eles A saga dos cães perdidos, lançado em 2000. A obra traz as polêmicas transformações dos jornais em seus duzentos anos de existência.

A crítica maior cai sobre o “faro” jornalístico, a perda do sentido aguçado em busca de notícias, que desestimula profissionais. As constantes mudanças tecnológicas fazem muitos profissionais perderem espaço no mercado de trabalho.

Durante muito tempo a informação foi manipulada pela Igreja Católica e as universidades, como uma forma de proteção do conhecimento. A informação era produzida por quem tinha a força e o poder. O livro aborda o desenvolvimento do jornalismo desde a criação dos tipos móveis por Gutenberg até os avanços tecnológicos atuais. Em uma divisão na linha do tempo do jornalismo, a sua primeira fase aconteceu na metade do século 19, com o surgimento do jornalismo com fins pedagógicos e de formação política. Os jornais passaram a ser porta-voz de políticos e tudo é superexposto.

Na metade do século 19 surge o segundo jornalismo, como uma empresa capitalista, com a venda de espaços publicitários para sustentação econômica do próprio jornal. O terceiro jornalismo está ligado ao monopólio, ao enfraquecimento e à descaracterização da profissão jornalística. O quarto e último jornalismo é a fase atual em que vivemos. Essa fase é caracterizada pela inclusão da era tecnológica que intervém diretamente na produção do jornal. Os meios visuais nessa última fase ganharam maior influência, com conteúdo mais dinâmico. Os impressos foram obrigados a aderir a textos opinativos e interpretativos.

No quarto capitulo do livro, Ciro Marcondes Filho demonstra o poder de sedução das transmissões televisivas, o dinamismo, o apelo e as emoções que esse meio midiático carrega, alterando o ritmo de produção.

Ao final do texto são debatidas e ponderadas a ética no  jornalismo, a liberdade de imprensa, a invasão de privacidade – questões usadas para defesa e complicações na profissão. O autor, em algumas partes, faz o leitor pensar duas vezes antes de encarar a profissão de jornalismo. Com as novas tendências tecnológicas, a profissão, segundo ele, corre riscos. O livro é formado por várias citações de autores que exemplificam um pouco mais sobre a profissão e as dificuldades encontradas ao longo do caminho profissional. A análise do livro pode ser considerada esclarecedora tanto para alunos como para profissionais da área jornalística. De uma certa forma, a visão pessimista do autor traz uma carga de reflexão que contribui para uma visão abrangente da profissão e aponta se vale a pena seguir o caminho do jornalismo mesmo com suas dificuldades.

 

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