Por João Paulo Biage
O tempo passa e a discussão sobre o homossexualismo no futebol continua. O último capítulo dessa novela foi o caso Richarlyson. Tudo começou em um renomado programa de esportes, exibido na hora do almoço e apresentado por Milton Neves. Os integrantes da mesa redonda discutiam sobre o boato de que algum jogador de um clube grande paulistano assumiria a homossexualidade no domingo à noite para todo o Brasil. Perguntado se esse jogador era do Palmeiras, José Cyrillo Júnior, dirigente do Palmeiras, respondeu:
– O Rycharlison quase assinou com o Palmeiras, mas optou por assinar com o São Paulo. Até tínhamos um pré-contrato assinado, mas o procurador do jogador preferiu assinar com o São Paulo.
Logo depois Richarlyson entrou com uma queixa-crime contra o dirigente palmeirense pedindo indenização de R$ 300 mil. Porém, com uma decisão totalmente homofóbica, o juiz Maximiano Junqueira Filho alegou o caso em favor de José Cyrillo.
O caso terminou com um final feliz. O dirigente do Palmeiras pediu desculpas públicas a Richarlyson, o jogador desculpou e foi ao Fantástico para afirmar que não é homossexual. Por fim, José Cyrillo foi condenado a pagar cestas básicas a instituições de caridade.
Mas esse não é o primeiro caso referente ao homossexualismo no mundo futebolístico. O mais conhecido foi do jogador inglês Justin Fashanu, que em 1990 assumiu publicamente a sua homossexualidade. Depois de muita pressão e preconceito por parte da mídia e de seus colegas, Fashanu suicidou-se em 1998.
Outro episódio conhecido foram as revelações de Dadá Maravilha. Quando perguntado sobre a existência de homossexuais no futebol, respondeu que isso não era novidade.
– De montão. Um exemplo: em 1970, Dadá tinha um corpo maravilhoso. Havia um zagueirão que era louco pelas minhas pernas. Um dia, o cara me passou a mão. Dei uma pernada nele e disse: “Sai pra lá, rapaz!”.
Para evitar esse tipo de preconceito, foi aprovado um projeto de lei que torna o preconceito de gênero, sexo e orientação sexual um crime resultante de discriminação. Trata-se de uma extensão da Lei 7.716/89. Quando entrar em vigor, caso isso aconteça, os termos viado e bicha, comuns no futebol e ditos no calor da disputa, passarão a ser considerados discriminatórios e poderão levar quem os diz a ter de se explicar na Justiça.
Mas nem tudo é dor na luta contra o preconceito. No início de 2005, o meio-campo Dhorasoo, da seleção francesa, declarou publicamente seu apoio à criação de um time de futebol de gays na França. Dhorasoo é heterossexual e tem dois filhos, mas como é filho de imigrantes da Mauritânia – povo que sofre preconceito na França –, solidarizou-se com esse outro grupo discriminado. Segundo disse na época à revista So Foot, “talvez seja necessário que um jogador importante assuma a homossexualidade. Terá de ser um dos melhores jogadores do mundo, pois é fundamental estar numa posição forte para suportar as conseqüências. Só se pode avançar se for um grande ídolo a desbravar o caminho”.