Maio 6, 2008...12:19 am

A perda do sentido no cotidiano

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Por Márcio Medrado

 

Quantas coisas sem sentido você fez hoje? Você sabe o real sentido do que repetitivamente faz todos os dias? Acordar, tomar banho, cuidar da saúde em geral, essas coisas não são discutíveis. Para que possamos estar sempre bem conosco é necessário cuidar daquilo que somos, daquilo que aparentamos ao mundo.

Tantas coisas acontecem, dia a dia, tantas loucuras, fatos que perdem sentido na repetitividade. A escolha de uma roupa que te fará aceito pelo social, adornos que embelezam o exterior, o trabalho que tem sido fonte para suprir mais as vaidades que as necessidades. O profeta Salomão falou sobre isso: “Tudo é vaidade”. Nosso olhar sobre as coisas não tem sido fiel, pelo menos não temos visto que a vida tem se resumido a isto: segunda, terça, quarta, quinta, sexta, segunda chegou e continua a repetitividade que expele o sentido. Quantas vidas se perderam nesse espaço de tempo em que estivemos cuidando de nós?

Ontem, percebi que duas semanas se passaram e meu colega de trabalho não aparecia na repartição, até cheguei a perguntar por ele, ninguém sabia. Perguntei à chefe sobre o que tinha acontecido e descobri que ele estava doente. Dias depois ele chegou e me disse ter passado por uma enfermidade. Enfermo estava eu e não sabia, só senti sua falta quando precisei dele. Que terrível é ser cotidiano. Percebi também que não é muita coisa, que eu não era nada, que a doença chega a todos e que todos somos capazes de ser mais do que aquilo que outrora foi dito, somos indiferentes. Mas assim é uma vida normal, cheia de métodos e de erros cotidianos, limpa e bem apresentável, mas para quê? Para apresentar a quem?

Passei a dar mais valor à vida, cuidar para que ela nunca fosse ferida por minha indiferença. São feridas sem causa e crônicas. Outro dia, esbarrei em uma pessoa enquanto andava na rua, automaticamente pedi desculpas; depois fiquei me perguntando se havia pedido desculpas pelo erro cometido ou se aquela expressão era apenas mais uma do meu curto vocabulário.

Olhando as pessoas em redor, fui identificando o quanto somos tão iguais quando se trata de ações uns para com os outros. Fazemos bonito para uns, comentários maldosos para outros, ficamos até amigos de poucos e, com eles, gastamos a melhor parte de nós.

Concluí que somos realmente como cebolas, compostos por casca de variadas espessuras, algumas jamais serão retiradas. Servem para encobrir muitas vezes pessoas vazias de sentimentos. E ai de quem tentar revelar quem somos. Como cebolas, produzimos secreções que podem fazer qualquer um chorar. Nada mais sem sentido que uma palavra mal proferida; nada mais vaidoso que o uso delas em beneficio próprio. Essas sim não têm sentido e fazem chorar. Quantas coisas sem sentido você fez hoje?

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