Bastidores do meio político

Por Layane Alencar

Com grande motivação, Roberto Seabra e Vivaldo de Sousa se empenharam em organizam os textos de Jornalismo político: teoria, história e técnicas. Eles recuam no tempo para explicar a situação atual da imprensa brasileira. Explicam que o jornalismo político, em seu surgimento, confunde-se com a história do jornalismo brasileiro. Todo o contexto explica os fatos que desencadearam o rumo do jornalismo que nasceu com um determinado sentido: o fato político. Uma análise dos principais veículos de comunicação deixa claro que o espaço dedicado ao noticiário político ainda é considerado um dos mais nobres para as empresas jornalísticas.   

 

O livro é composto por artigos de repórteres, pesquisadores e colunistas políticos como Álvaro Pereira, Cremilda Medina, Eliane Cantanhêde, Helena Chagas, Jorge Duarte, Juliano Bsile, Luiz Martins, Mauro Santayana, Rudolfo Lago, Tereza Cruvinel, Wladimir Gramacho, além dos organizadores. Cada um em seu estilo e sua diferente formação, contam um pouco de suas experiências, divididas em três partes do livro.

 

Em sua primeira parte, o livro reúne artigos sobre a teoria do jornalismo político, fatos que nos remetem a uma profunda reflexão sobre esse tema. Cremilda Medina fala do lugar que o jornalista deve ocupar e como atuar dentro de um cenário político, onde deve acompanhar o cotidiano e a dinâmica do Congresso Nacional, com desafios, vitórias e obstáculos, que se misturam, com seus protagonistas, suas pautas e interesses diversos. Mauro Santayana aborda a ética do jornalista dentro e fora das redações de modo que discipline suas atividades e exerça o seu ofício conforme as suas condições peculiares.

 

A segunda parte do livro conta a história do jornalismo e a experiência de vida de alguns autores que acompanharam de perto o processo de desenvolvimento do governo e dos principais meio de comunicação. Evidencia o espaço da imprensa, em meio à censura dos anos 1960, ao agir de forma crítica ou dissidente do governo.

 

Na terceira parte, temos as técnicas de apuração como fontes, apuração de informações precisas, questões éticas, texto jornalístico, entre outros. “O jornalismo e a fonte – muito trabalho, bastante credibilidade e uma pitada de bom senso”, recomenda Eliane Cantanhêde. Juliano Basile escreve a respeito da opinião pública e da sociedade, trata de temas polêmicos e dá dicas sobre a postura de um jornalista ao receber críticas.

Jornalismo político pretende contribuir para o debate, o ensino e a profissionalização no campo jornalístico político no Brasil.

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Lendo e aprendendo

Por Layane Alencar

 

As dicas de Ricardo Noblat em seu livro A arte de fazer um jornal diário são indispensáveis a estudantes de jornalismo e a admiradores de um texto bem escrito. Com um caráter informativo, Noblat revela inusitados meios de como fazer um bom jornal através de seus 35 anos de experiência no jornal impresso. O livro nos remete também às questões do atual jornalismo e responde de forma original as indagações feitas por nós, a respeito do futuro do jornal impresso.

A forma em que os jornais impressos são apresentados, segundo Noblat, desagrada às pessoas por diversos fatores, e o principal é que os assuntos abordados estão mais de acordo com o gosto dos jornalistas do que ao gosto dos próprios leitores. O jornal ainda segue o padrão retrógrado, não prático, e assim perde seu espaço e a conseqüente venda de seus exemplares.

A missão dos jornais é o comprometimento com a informação e com a transmissão do conhecimento verídico. Para isso, o autor fala da importância de se apurar bem um fato, e da credibilidade que possui uma notícia contada em detalhes. Todo cuidado é pouco ao publicar uma informação em off, e o compromisso que o jornalista deve ter com as fontes sigilosas. O texto bem escrito é a principal ferramenta do jornalista. Por isso, é essencial prender a atenção do leitor logo nas primeiras linhas. A sugestão: faça um bom lead, mas faça-o de maneira criativa.

A arte de fazer um jornal diário é um livro estimulante em que até suas entrelinhas, escritas de forma sugestiva pelo autor, possuem valor. Mostra-nos os conflitos da redação de um jornal e faz uma alusão aos perigos da profissão. As informações que nos são acrescentadas ao ler este livro são úteis para a vida e o dia-a-dia de um jornalista que deseja realização em sua carreira profissional.

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Não há mais limite para o descaso

Por Layane Alencar

 

E há quem diga “respeito aos mortos”. Hoje em dia, nem a estes. Parlamentares líderes da CPI dos Cemitérios visitaram alguns dos sete cemitérios de Brasília, para investigar uma denúncia feita pelo presidente da Organização Social dos Jardineiros do Distrito Federal, Cícero de Jesus Melo. E o que encontraram foi assustador, um grande número de túmulos abertos que designam ilegalidade na administração dos cemitérios, além de violação dos direitos humanos.

 

As despesas mínimas de um sepultamento superam a casa dos dois mil reais. O deputado distrital José Antônio Reguffe diz que “não há nada que justifique que um enterro no DF tenha este valor”. Já as empresas dos cemitérios se justificam dizendo que a taxa cobrada diz respeito à manutenção e à responsabilidade por qualquer depredação ou perda de objeto que ocorra no local.

 

E como explicar a exumação irregular de restos mortais, a revenda de túmulos e o desaparecimento de ossadas? No espaço reservado aos pobres no Cemitério Campo da Esperança, as covas não possuem nenhuma identificação e mais de três corpos de famílias diferentes são enterrados na mesma sepultura. Sem falar do grande matagal encontrado no local, o que denuncia a total falta de manutenção.

 

O gerente da empresa Campo da Esperança e responsável pelo Cemitério de Taguatinga, Hamilton dos Santos Xavier, confirmou, aos relatores da CPI, algumas irregularidades, e disse que os ossos descobertos pela CPI em Taguatinga são de galinha.

 

O descaso é visível, mas o governo confia em seu trabalho. “Eu espero que o trabalho da CPI contribua para que a gente possa planejar um novo modelo de gestão para os cemitérios do DF, acabar com essas arbitrariedades e resgatar a dignidade do povo, porque não dá para a gente conviver com esse sistema”, comenta o deputado Rogério Ulisses, presidente da CPI.

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Pedofilia em questão

Por Layane Alencar

Os casos de pedofilia na internet podem ser finalmente resolvidos no Brasil. Após as inúmeras denúncias emitidas pela imprensa, o governo decidiu agir. A pauta chegou ao Congresso e nossos representantes instalaram uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar os casos.

A CPI da Pedofilia, criada inicialmente para a investigação de sites da internet com conteúdos pornográficos infantis, abriu a sua pauta para assuntos relacionados à exploração de crianças em geral. O comunicado feito pelo presidente da CPI, senador Magno Malta (PR-ES), ao Congresso Nacional, foi de votação prioritária entre todos os Projetos de Lei para combater o abuso sexual infantil.

A investigação começou no site de relacionamento Orkut. Nele foram encontradas cerca de três mil páginas referentes ao assunto e mais de 500 pedófilos já foram identificados. Para solucionar o caso, Magno Malta propôs a criação de um banco de dados, de acesso público, contendo dados de pessoas flagradas praticando abusos sexuais com crianças. Ele que diz que a ação serve de alerta e proteção às famílias brasileiras.

O que chama a atenção é que grande parte dos pedófilos que atuam no Brasil não são necessariamente brasileiros. Isso faz com que a nossa legislação não consiga alcançá-los quando eles estiverem fora do país. Outra questão importante é a percepção de que não basta apenas a criação de CPIs ou de leis aprovadas, mas sim a rigidez com que todas estas leis são cobradas aos praticantes deste tipo de crime. A conscientização dos cidadãos se faz necessária para preservar e valorizar as nossas crianças, assim como o apoio do governo ao incluir programas de políticas públicas voltados para a defesa dos direitos infantis.

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Jovens evangelizam jovens

Por João Paulo Biage*

 

Brasil: o maior país católico do mundo. Porém, a religião cristã vem perdendo muitos fiéis de um tempo pra cá. E isso se dá graças à debandada de jovens que não se sentem atraídos e vão à procura de algo mais interessante em outras igrejas ou templos. Mas nem tudo é marasmo na Igreja Católica. Atentos à palavra de João Paulo II, que dizia que o futuro do catolicismo são os jovens, os membros do Grupo de Animação Missionária – GAM – pensaram e utilizam formas mais didáticas aos adolescentes para fazerem seu papel maior na terra: evangelizar jovens. Mas como é isso?

 

O grupo jovem de Taguatinga já está nessa caminhada há 12 anos e todo ano ocorre um encontro freqüentado por, no mínimo, 60 jovens que, na maioria das vezes, não têm nenhum contato com a igreja.

 

“O nosso objetivo nesses encontros é apresentar a religião católica ao jovem e mostrar que também se pode trabalhar para ela de uma forma jovem e alegre”, diz Gustavo Cavalcanti, integrante do grupo há pouco mais de três anos.

 

Como é um grupo grande, são criados segmentos para que essa tarefa de disseminar a Palavra de Deus seja feita com mais precisão e perfeição. Um desses segmentos é a equipe de teatro, por eles chamada de Acolhida. É a equipe mais visada nos encontros, e a que os jovens costumam gostar mais. Ela não se limita a fazer apresentações nos encontros do grupo ou na paróquia Cristo Redentor, paróquia do grupo. A equipe de Acolhida faz peças para outros grupos e outras paróquias. E para provar que o único intuito é evangelizar jovens, as peças são gratuitas.

 

“Não estamos aqui para ficarmos ricos ou para ganhar dinheiro em cima da palavra de Deus. Queremos mesmo é resgatar jovens que caem na vida da perdição e mostrar que o outro caminho a ser seguido, o caminho de Deus, é melhor.” É a opinião de Anderson, integrante do grupo há quase dois anos.

 

Composto por Anderson Yotsumoto, Ciro Souza, Carolina Cavalcanti, Elaine Costa, Gustavo Cavalcanti, Hugo Rafael, Nara Neri, Tiago Freitas, Thiago Leite, Suzana Castro e Zuleika Oliveira, o grupo já vem colhendo os frutos do sucesso. Depois de apresentarem mais de vinte peças este ano, o grupo deu uma entrevista à rádio Maria, em que expôs a fórmula que vem dando certo em seus trabalhos. Para Suzana, o que atrai mais os jovens é a amizade.

 

“A receita para o sucesso dos encontros são a animação, as peças bem dinamizadas, a didática adquirida com esses vários anos de GAM e principalmente a amizade que é onde o jovem se sente mais atraído.”

 

E é de se aplaudir uma atitude dessas. Jovens que não têm vergonha alguma de se mostrarem ao público para tão somente mostrar um caminho melhor. Melhor do que as drogas, a bandidagem, os falsos amigos, enfim, melhor do que a vida que muitos jovens levam neste mundo.

 

* João Paulo Biage faz parte do GAM.

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Casas ou árvores?

Por João Paulo Biage

 

 “Brasília, uma cidade de negócios e oportunidades para todos.” É isso que as pessoas menos informadas das outras cidades e estados pensam da capital brasileira. Então, visando maiores oportunidades de emprego e expandir suas contas bancárias, vários migrantes chegam a Brasília. Porém, a maioria vem sem nenhum tipo de moradia já certa e encontra em áreas de preservação ambiental seu local para morar. Isso aconteceu desordenadamente nas últimas três décadas, fazendo com que a ocupação de locais irregulares fosse cada vez maior e causando danos irreparáveis às áreas ambientais do Planalto Central.

Um dos locais que logo foi ocupado e hoje é totalmente urbanizado é a Colônia Agrícola Vicente Pires. O que atualmente já é considerada uma cidade até hoje não tem casas e condomínios regularizados. São aproximadamente 17 mil famílias que vivem irregulares  no local. O pior é que o crescimento de famílias foi desenfreado, e prejudicou a nascente e o córrego que atravessa a cidade. Sem contar o desmatamento feito para que a cidade fosse iniciada e o uso ilegal, irrestrito e imprudente da água ali localizada.

Outro caso mais recente é a ocupação da Bacia do São Bartolomeu. Mais uma área ambiental habitada desordenadamente e que pode até comprometer o abastecimento de água do Distrito Federal. Isso porque já são mais de dez mil hectares ocupados irregularmente. Um estudo da Universidade Católica de Brasília (UCB) acusa que 80% dessas ocupações estão em locais onde não deveria haver habitações.

Entra ano e sai ano, a questão fundiária brasiliense só piora. Há quem diga que as invasões são as piores maneiras de agressão ao solo. Eu acredito e concordo com a idéia, pois o desmatamento é péssimo para o solo? Claro. Queimadas então?! Nem se fala. Porém as construções de edificações em APAs (Áreas de Preservação Ambiental) e APPs (Áreas de Preservação Permanente) não só desmatam como inutilizam o solo fértil.

Problemas ambientais como esses são quase impossíveis de serem solucionados. Não há como replantar tais árvores derrubadas e nem como repurificar a água tal como era antes. Pode-se fazer um tratamento com a água, e plantar novas árvores em um novo local, mas mais que isso: deve-se reeducar a população e conscientizá-la de que árvores, plantas, águas, animais, assim como nós, também precisam de local para viver.

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A perda do faro

Por Camila Marques

 

O jornalista e professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) Ciro Marcondes Filho é autor de diversos livros na área de jornalismo. Dentre eles A saga dos cães perdidos, lançado em 2000. A obra traz as polêmicas transformações dos jornais em seus duzentos anos de existência.

A crítica maior cai sobre o “faro” jornalístico, a perda do sentido aguçado em busca de notícias, que desestimula profissionais. As constantes mudanças tecnológicas fazem muitos profissionais perderem espaço no mercado de trabalho.

Durante muito tempo a informação foi manipulada pela Igreja Católica e as universidades, como uma forma de proteção do conhecimento. A informação era produzida por quem tinha a força e o poder. O livro aborda o desenvolvimento do jornalismo desde a criação dos tipos móveis por Gutenberg até os avanços tecnológicos atuais. Em uma divisão na linha do tempo do jornalismo, a sua primeira fase aconteceu na metade do século 19, com o surgimento do jornalismo com fins pedagógicos e de formação política. Os jornais passaram a ser porta-voz de políticos e tudo é superexposto.

Na metade do século 19 surge o segundo jornalismo, como uma empresa capitalista, com a venda de espaços publicitários para sustentação econômica do próprio jornal. O terceiro jornalismo está ligado ao monopólio, ao enfraquecimento e à descaracterização da profissão jornalística. O quarto e último jornalismo é a fase atual em que vivemos. Essa fase é caracterizada pela inclusão da era tecnológica que intervém diretamente na produção do jornal. Os meios visuais nessa última fase ganharam maior influência, com conteúdo mais dinâmico. Os impressos foram obrigados a aderir a textos opinativos e interpretativos.

No quarto capitulo do livro, Ciro Marcondes Filho demonstra o poder de sedução das transmissões televisivas, o dinamismo, o apelo e as emoções que esse meio midiático carrega, alterando o ritmo de produção.

Ao final do texto são debatidas e ponderadas a ética no  jornalismo, a liberdade de imprensa, a invasão de privacidade – questões usadas para defesa e complicações na profissão. O autor, em algumas partes, faz o leitor pensar duas vezes antes de encarar a profissão de jornalismo. Com as novas tendências tecnológicas, a profissão, segundo ele, corre riscos. O livro é formado por várias citações de autores que exemplificam um pouco mais sobre a profissão e as dificuldades encontradas ao longo do caminho profissional. A análise do livro pode ser considerada esclarecedora tanto para alunos como para profissionais da área jornalística. De uma certa forma, a visão pessimista do autor traz uma carga de reflexão que contribui para uma visão abrangente da profissão e aponta se vale a pena seguir o caminho do jornalismo mesmo com suas dificuldades.

 

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O futuro dos jornalistas

Por Camila Marques

 

Se levarmos em consideração os avanços tecnológicos, a resposta para o futuro dos jornalistas será um declínio na profissão. A maioria dos profissionais da área comunicacional crê que a internet é a maior vilã da crise que pode ocorrer nos meios jornalísticos.

O jornalismo sofreu modificações, tanto nos meios impressos quanto nos meios audiovisuais. Formas mais ágeis, como transmissão ao vivo e a apuração feita com velocidade, foram incorporadas ao telejornalismo. Com isso, os profissionais constantemente fazem reciclagem sobre os novos meios que podem ajudar no desenvolvimento do seu trabalho. O acesso às informações foi facilitado. Isso de certa forma ajuda o jornalista na distribuição da notícia que abrange uma porcentagem maior do público .

Com tanta facilidade, as pesquisas aumentaram, aparecendo, assim, jornalistas, digamos, “preguiçosos”, ou seja, aqueles que não precisam sair das redações para cobrir um acontecimento, ali mesmo de frente ao computador consegue de uma certa maneira fazer o seu serviço. Com tanta informação, o público pode começar a desconfiar das fontes e autores desses textos. Eles procuram textos com qualidade e credibilidade. Os estudantes de jornalismo, por sua vez, estudam para proporcionar isso ao leitor, telespectador, ouvintes e internautas.

Atualmente o profissional de jornalismo tem que ter o diferencial para sobreviver. Opções boas a serem seguidas são uma boa bagagem cultural, ser crítico, para comentar e interpretar as informações, ter domínio de ferramentas tecnológicas. Essas são algumas idéias que podem ajudar um jornalista a se destacar de outras pessoas “comuns” que distribuem informação.

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Sina de campeão?

Por João Paulo Biage Teixeira

 

Seleção Brasileira de Futebol. O time mais temido e respeitado do mundo. Com mais títulos da Copa do mundo (cinco títulos), oito vezes campeão da Copa América, atual terceiro colocado no ranking da FIFA e nenhuma vez campeão de futebol nas Olimpíadas. Isso mesmo, a medalha de ouro no campeonato de futebol dos Jogos Olímpicos é o único título que o Brasil não conquistou até hoje.

A Seleção Brasileira, na maioria das vezes, aparece como favorita, e, mesmo assim, nunca conseguiu tal medalha. A melhor colocação do futebol brasileiro masculino nos Jogos Olímpicos foi a medalha de prata. Por duas vezes o Brasil foi o segundo colocado: em 1984, perdendo para a França na final, e 1988, perdendo para a extinta União Soviética. Mas a memória do torcedor, quase sempre, só se lembra dos fracassos mais recentes.

Em 1996, o Brasil ficou com a medalha de bronze ao golear Portugal por 5×0 na disputa pela terceira colocação. Porém, nem essa ultima exibição de gala consegue apagar a forma pífia com que a seleção foi eliminada nas semifinais. O time brasileiro, que contava com Dida, Leonardo, Bebeto e cia., foi derrotado pela Nigéria por 4×3 na prorrogação, após estar vencendo a partida por 3×1. Sei que eu ainda era novo. Tinha apenas 8 anos, mas já sabia o que era uma vergonha mundial. O melhor time do mundo ser eliminado por um selecionado sem nenhuma expressão. A maior zebra daquela Olimpíada, a maior vergonha do futebol desde a copa de 82. A seleção nigeriana acabou como campeã olímpica daquele ano.

Quatro anos mais tarde, a seleção brasileira chegou a Sidney como franca favorita. O time tinha craques como Ronaldinho Gaúcho e Alex. Caiu nas quartas-de-final perdendo para outra seleção africana: Camarões. A derrota por 2×1, também na prorrogação, foi mais dolorida porque o Brasil tinha dois jogadores a mais em campo, beneficiado por duas expulsões de jogadores camaroneses. Foi duro ver o tanto de gols perdidos por aquela equipe, ver aquela zaga falhar feio no último gol, ver o choro do goleiro Helton ao buscar a derradeira bola no fundo das redes.

Em 2004 foi pior: a Seleção Brasileira sequer se classificou para disputar as Olimpíadas de Atenas. Considerado o melhor time dos últimos anos, contava com Robinho, Diego, Dagoberto e Luis Fabiano. Ficou no pré-olímpico sul-americano perdendo a última partida para a seleção paraguaia e teve que assistir aos Jogos Olímpicos de casa. Ali, sim, eu já me entendia por conhecedor do futebol. E assistir à Argentina, nossa arqui-rival, ser campeã olímpica foi doloroso pra qualquer brasileiro.

Este ano a esperança de título é depositada no atacante Alexandre Pato. Outros jogadores como Diego, Anderson e Lucas têm presença certa nessa escalação. Mas mesmo com tantos jogadores de qualidade, é a primeira vez nos últimos 12 anos que o Brasil não chega como favorito. E chega desacreditado pelas últimas apresentações brasileiras em campo. Tomara que desta vez venha o tão sonhado e esperado título Olímpico.

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Homossexuais no futebol

Por João Paulo Biage

O tempo passa e a discussão sobre o homossexualismo no futebol continua. O último capítulo dessa novela foi o caso Richarlyson. Tudo começou em um renomado programa de esportes, exibido na hora do almoço e apresentado por Milton Neves. Os integrantes da mesa redonda discutiam sobre o boato de que algum jogador de um clube grande paulistano assumiria a homossexualidade no domingo à noite para todo o Brasil. Perguntado se esse jogador era do Palmeiras, José Cyrillo Júnior, dirigente do Palmeiras, respondeu:
– O Rycharlison quase assinou com o Palmeiras, mas optou por assinar com o São Paulo. Até tínhamos um pré-contrato assinado, mas o procurador do jogador preferiu assinar com o São Paulo.

Logo depois Richarlyson entrou com uma queixa-crime contra o dirigente palmeirense pedindo indenização de R$ 300 mil. Porém, com uma decisão totalmente homofóbica, o juiz Maximiano Junqueira Filho alegou o caso em favor de José Cyrillo.
O caso terminou com um final feliz. O dirigente do Palmeiras pediu desculpas públicas a Richarlyson, o jogador desculpou e foi ao Fantástico para afirmar que não é homossexual. Por fim, José Cyrillo foi condenado a pagar cestas básicas a instituições de caridade.

Mas esse não é o primeiro caso referente ao homossexualismo no mundo futebolístico. O mais conhecido foi do jogador inglês Justin Fashanu, que em 1990 assumiu publicamente a sua homossexualidade. Depois de muita pressão e preconceito por parte da mídia e de seus colegas, Fashanu suicidou-se em 1998.

Outro episódio conhecido foram as revelações de Dadá Maravilha. Quando perguntado sobre a existência de homossexuais no futebol, respondeu que isso não era novidade.

– De montão. Um exemplo: em 1970, Dadá tinha um corpo maravilhoso. Havia um zagueirão que era louco pelas minhas pernas. Um dia, o cara me passou a mão. Dei uma pernada nele e disse: “Sai pra lá, rapaz!”.

Para evitar esse tipo de preconceito, foi aprovado um projeto de lei que torna o preconceito de gênero, sexo e orientação sexual um crime resultante de discriminação. Trata-se de uma extensão da Lei 7.716/89. Quando entrar em vigor, caso isso aconteça, os termos viado e bicha, comuns no futebol e ditos no calor da disputa, passarão a ser considerados discriminatórios e poderão levar quem os diz a ter de se explicar na Justiça.

Mas nem tudo é dor na luta contra o preconceito. No início de 2005, o meio-campo Dhorasoo, da seleção francesa, declarou publicamente seu apoio à criação de um time de futebol de gays na França. Dhorasoo é heterossexual e tem dois filhos, mas como é filho de imigrantes da Mauritânia – povo que sofre preconceito na França –, solidarizou-se com esse outro grupo discriminado. Segundo disse na época à revista So Foot, “talvez seja necessário que um jogador importante assuma a homossexualidade. Terá de ser um dos melhores jogadores do mundo, pois é fundamental estar numa posição forte para suportar as conseqüências. Só se pode avançar se for um grande ídolo a desbravar o caminho”.

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